Assumindo meus erros

Acho que esse é o post mais difícil que eu já fiz. E olha que muitas mulheres com o balão que eu conheci no orkut, usam fakes. Acho que ainda existe vergonha e preconceito. Mas não é isso que eu gostaria de falar.

Quando eu comecei o blog tive um pouco de reticências quando a expor meu peso e meus obstáculos. É difícil dizer que se pesa esse ou aquele peso. Mas superei isso, e estou feliz de poder falar dessas coisas sem tanto problema.

Porém, tem uma coisa que eu nunca tinha enfrentado antes, a COMPULSÃO ALIMENTAR.

Estou escrevendo assim em letras bem grandes, pois é um problema igualmente grande. Até ontem eu nunca tinha admitido sofrer isso, acreditando piamente que um exagero ou outro não eram uma coisa assim tão ruim. Cheguei a falar para o dr. Felipe que eu não sofria desse mal, e que não teria problemas em ter alguma crise.

Minha mãe sempre diz que ser gorda é como ser alcoólatra e eu sempre interpretei isso como uma metáfora e nunca de forma literal. Olhava como até um exagero da parte dela, pois no alcoolismo a pessoa não consegue se conter e sofre uma grande dependência química.

Minha opinião mudou ontem.

Eram umas 4 da tarde e eu comecei a sentir uma dor muito intensa no estômago. Eu relatei isso no twitter e tudo o mais, enfim… senti a dor até chegar em casa e durante toda a noite. Não conseguia nem mesmo tomar água sem sentir ânsia de vômito. Tentei ligar para o dr. Felipe, mas não conseguia me focar, nem tentar direito. Foi quando aconteceu.

Senti uma vontade imensa de comer. Eu tremia, chorava. E sabia que não era de dor, mas sim, uma necessidade incontrolável de comer. Como uma pessoa com dor, sem conseguir tomar nem água, sente necessidade de comer um lanche? Eu queria comer um lanche do McDonald’s, com bastante queijo, molho, carne.

Por instantes eu tive a impressão que poderia quebrar tudo em casa, bater na parede, xingar, brigar, pela necessidade de ingerir aquela combinação de coisas. E eu finalmente olhei para mim e para a minha vida.

Enxerguei diversos momentos em que eu estava bem, comendo de forma controlada, aí acontecia algo que me deixava triste, ou estressada e eu tinha crises em comer uma quantidade enorme de comida. Eu me lembrei de comer muitos mais pedaços de pizza que conseguia aguentar, apenas pela sensação de enfiá-los pela boca.

Por algum motivo esses momentos estavam apagados na minha mente, ou não tinham a importância que deveriam na minha memória.

Ontem por alguns momentos eu achei que iria morrer ali, ou tirar o balão pela boca, ou abrir minha barriga pra tirar na marra. Não sei se alguém que vai ler isso já passou por alguma desintoxicação, ou já foi viciado em alguma substância. Mas ontem eu senti como se eu fosse, e no fundo eu sou.

Não… não no fundo, bem na frente mesmo. E acho que só eu não conseguia ver isso.

Então eu tive medo, lembrei que a minha glicose estava no limite, que posso ter problemas ainda maiores no futuro. Mesmo todos os problemas do mundo a superar, compensam a minha saúde? Um prazer momentâneo compensa tudo que vem com isso?

Não comi, antes que me perguntem, aguentei. Mas por muitos momentos, achei que não aguentaria. E uma próxima vez?

Isso eu não sei dizer, mas sei que quero controlar, mas sei que eu não quero mais ser assim.

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11 Comentários

Arquivado em diário, Emocional

11 Respostas para “Assumindo meus erros

  1. Érico San Juan

    Que coragem a sua de se expor dessa forma. Parabéns.

  2. Amiga, to com você!
    Fica bem! (L)

  3. Tbm estou sempre com você!
    Força Ana que vai dar TUDO certo.
    Super pensamento positivo daqui…
    Beijos beijos beijos!

  4. sandra Recalde

    Ai minha filha!!!
    Sempre soube que vc é uma mulher de coragem.
    Parabens!!!!!

  5. Putz, Ana, que post forte! E corajoso! Pode ter certeza que estás, com tua história, despertando quem está lendo pras próprias compulsões, pras próprias formas, digamos, heterodoxas 🙂 de lidar com questões mal resolvidas. Essa sacação, essa tomada de consciência, é um puta salto no sentido de resolver as questões que levam à compulsão. E a boa notícia é que estas questões são “tratáveis”, são “psicanalisáveis”… Como eu já te disse, hang on! Tu estás conquistando dias melhores, em todos os aspectos da tua vida.

  6. Um post de coragem e generosidade! Parabéns, continue, quando tiver passado tudo isso não haverá mais dor.
    Um beijo. Torço por você!

  7. Débora Bordin

    Bravo! Bravíssimo!!!
    Orgulho de você, minha amiga 🙂
    Bjo e TJNP.

  8. Ana, parabéns por sua iniciativa!
    Vários pacientes poderão ter coragem ao ler seus relatos….
    Assim está se ajudando e ajudando a outras pessoas também.
    bjs da Nutri

  9. Daniele Alanda

    Nossa.. que loucura… pensei que só eu tivesse passado por isso… pois é… tbm tive uma crise bem parecida… mas, foi antes de completar uma semana… pior né? E o fim foi pior ainda.. n me controlei… que vergonha… pois é.. comi igual uma criança com medo e escondida… morri de medo do que aconteceria depois… me senti horrivel por n ter me controlado… vc é uma vitoriosa, continue asim! Espero q eu n tenha novamente… n sei como vou me sair. Está sendo muito difícil p/ mim!

    • Calma Daniele, pelo que ouvi de outras pacientes, esse sentimento é o mesmo em muitos casos. O importante está na nossa cabeça! Não acharmos que tudo acabou agora, mas sim ver que erramos e ver como poderia ter evitado. Assim, para conseguir fazer certo da próxima vez 🙂

      A mudança não vai acontecer do dia pra notei, vai ser um processo gradual…

      Força aí, companheira 😀

  10. Pingback: Ansiedade | Dois Pesos e Duas Medidas

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